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    Forró na Bahia

    Curta experimental IFÁ apresenta abordagem performativa do candomblé





    Dirigido por Leonardo França, vídeo arte se inspira nas referências estéticas ligadas à religiosidade de matriz africana


    Imagens, movimentos, corporalidade – inspirações do universo afro-baiano serviram como mote para o curta-metragem IFÁ, dirigido por Leonardo França. De natureza experimental, o vídeo parte de uma consulta à IFÁ, entidade iorubana representada pelo Jogo de Búzios, para construir uma narrativa que joga com os formatos de ficção e documentário.

    Uma conversa entre o diretor do filme e o Babalorixá Balbino Daniel de Paula (Obarayi), líder do Ilê Axé Opô Aganjú, deu origem a um argumento que se sustenta a partir da noção de que não é a equipe quem faz o vídeo, mas o próprio que se fará, em situação de jogo. Ao optar por esse argumento, foi incorporado o modo de pensar do “outro”, e considerado o desejo do “outro”, do que é externo ao próprio desejo. 

    Esse tipo de concepção conecta-se intimamente com um modo de pensar exercitado pelas religiões de matriz africana, caso do Candomblé, onde não necessariamente o desejo do adepto é quem determina os seus caminhos, mas seus orixás, funções, hierarquia. Dessa forma, o filme mescla a consulta à IFÁ, mediada pelo pai de santo, com performances que ativam as reflexões geradas a partir desse encontro, originando imagens de natureza poética e artística. A ausência de um roteiro convencional é o que marca o filme, que constrói uma espécie de jogo poético ancestral, deixando que o próprio vídeo oriente seus caminhos narrativos.



    Idealizado pelo produtor Gabriel Pedreira, IFÁ é uma tentativa de apropriação dos símbolos do Candomblé para tocar em questões universais, a partir de uma abordagem mais poética/experimental e menos antropológica. Dentro dessa perspectiva experimental, as situações ficcionais que surgiram no diálogo direto e indireto com o jogo de búzios foram chamadas de “performances-ebós” – apropriações artísticas que homenageiam os orixás. Esse diálogo performativo com o lado documental do vídeo foi a saída que Gabriel e Leonardo pensaram para tornar o filme um objeto de apreciação não somente para quem já conhece das religiões de origem africana, mas para quem aprecia arte em geral.

    Com fotografia de Gabriel Teixeira, as imagens instigantes do curta justificam seu status de vídeo arte, bem como o tratamento de som de João Meirelles, grande responsável pelo clima e ambientação do filme. Importantes artistas ligados ao cenário da performance e da dança contemporânea de Salvador estão em cena, como Michelle Mattiuzzi, Paula Carneiro e Fábio Osório Monteiro; além de membros da Comunidade Ilê Aganjú, como Maria Clara Daniel de Paula (Mãe Dadá) e o próprio produtor do curta, Gabriel Pedreira.

    IFÁ foi desenvolvido a partir do projeto Bará: Imagem, Corpo e Movimento, selecionado pelo Edital 25/2012 – Culturas Identitárias, da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, através do Centro de Culturas Populares e Identitárias, e executado com recursos do Fundo de Cultura da Bahia.



    SERVIÇO

    MOSTRAS do Curta Metragem experimental "IFÁ"

    Exibição I: Espaço Cultural Alagados 

    Cinema na Praça – em realização conjunta com Cineclub / Rede REPROTAI

    Dia: 09/04 (quinta-feira), às 20h

    Endereço: Rua Direita do Uruguai (fim de linha), s/n, Uruguai, Salvador - BA

    Entrada: gratuita



    Exibição II: Lálá Multiespaço

    Dividindo a noite com o show “Encarnado”, de Juçara Marçal 

    Dia: 10/04 (sexta-feira), às 20h

    Rua da Paciência, 329 - Rio Vermelho, Salvador – BA

    Lotação: 40 pessoas

    Entrada: oferenda (oferta espontânea)



    Exibição III: Sala Walter da Silveira, Biblioteca Pública dos Barris

    Integrante da programação do evento Dominicaos

    Dia: 03/05 (domingo), sessão dupla - às 18h30 e 20h

    Endereço: Rua General Labatut, 27 - Barris, Salvador – BA.

    Entrada: gratuita




    Fonte: Ana Camila - Assessoria de Imprensa

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