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    Forró na Bahia

    Arte acampada: Caetano Dias leva mais uma vez sua instalação-performance para as ruas




    Após passar pelas cidades do interior da Bahia, a ação Acampamento Rabeca acontece na cidade de Salvador. No dia 11 de outubro, os artistas Caetanos Dias, Eliezer Bezerra e Deusi Magalhães ocupam o largo do Santo Antônio Além do Carmo com um acampamento noturno. A instalação-performance é aberta ao público gratuitamente e acontece a partir das 19h. O encontro consiste na exibição do documentário Rabeca (2013), dirigido por Dias, além de ações artísticas, performáticas, musicais e teatrais que estabelecem interação com os participantes.

    Nascido de um exercício para roteiro do filme Água Brusca, onde o instrumento musical surgiria como dispositivo que colocaria em fluxo de vento e poeira um rio seco, em Rabeca, o instrumento deixa de ser um dispositivo para situações que beiram o realismo fantástico e passar a ser, aliado à figura do rabequeiro, um artifício para o resgate da memória e desenvolvimento do tema central. “Pude perceber que no roteiro de ficção Água Brusca não havia lugar para a Rabeca enquanto dispositivo, pois a personagem que a usava era o próprio dispositivo, ele com o seu corpo é que deveria por a funcionar o fluxo da memória”, completa o artista.

    Para a produção do documentário, o artista relata a volta às ruas de sua infância, numa pequena cidade do interior da Bahia, onde rabequeiros tocavam em troca de algumas moedas. Em busca de mais material para a obra, Caetano relata a necessidade de vivenciar o instrumento, dada a insuficiência tanto de suas recordações quanto dos textos teóricos que encontrou sobre o assunto. Em busca de um contato real, encontrou o jovem tocador de rabeca, Eder Fersant, e a octagenária Dona Dominga da Rabeca, que se tornariam protagonistas de seu vídeo. 

    No documentário Rabeca (2013), Eder Fersant, jovem músico radicado na Bahia, em uma viagem de Irecê à Correntina, revela os mitos regionais, os personagens, os sons e a riqueza cultural do sertão nordestino, apresentando cruamente o desaparecimento da tradição dos mestres rabequeiros. A Rabeca, instrumento que acompanha o músico durante a viagem, é utilizada como elemento de ligação entre os personagens no filme. O foco da narrativa nos conduz à história de personagens como Dona Dominga da Rabeca, octogenária e mestre rabequeira.

    Sobre o artista

    Caetano Dias é um artista multimídia, com mais de 20 anos de carreira, despontou com experimentações na pintura, tendo a pele como referência. Nos anos 90, passa a utilizar a fotografia para exprimir sua poética em formação. Aproxima erótico e sagrado através da apropriação de imagens da internet, na serie fotográfica “Santos Populares”.

    A partir dos anos 2000, começa uma série de instalações, esculturas e vídeos onde aprofunda as relações entre corpo/identidade e sagrado/sexualidade, trabalhando ícones da cultura universal em diálogo com grande problemáticas sócio-culturais da Bahia e do Brasil. 

    Realizou intervenções em espaços urbanos e vídeos que dialogam com a realidade social a exemplo de “Pequeno Labirinto – Canto Doce”, que participa do Festival Internacional Videobrasil (2007), quando construiu, em plena estação do subúrbio ferroviário de Salvador, duas paredes de açúcar.

    Caetano participou das bienais do Mercosul, Valência, Buenos Aires e Biennale de BelleVille/Nuit Blanche em Paris e expôs em mostras coletivas e individuais no Brasil, Venezuela, Equador, Espanha, Cuba, Estados Unidos e Canadá.



    SERVIÇO

    Acampamento Rabeca em Salvador

    Largo do Santo Antônio Além do Carmo

    11 de outubro de 2014

    A partir das 19h, com ensaio do Bloco de Hoje a Oito, entre 18h e 20h.

    Obs.: A montagem do acampamento começa às 17h30 e a ação permanece enquanto houver público.




    Fonte: Núcleo de Comunicação MAM-BA

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