• Um caldeirão de pura cultura baiana

    Forró na Bahia

    Nos Espaços Culturais da Secult com bate-papos e exibição de filmes sobre a linguagem artística da dança




    Em abril, mês em que se comemora o Dia Mundial da Dança, o projeto Caravana CPCV passará por quatro Espaços Culturais da SecultBA com a exibição dos espetáculos documentados Das ruas para as ruas, Colapso, Xou, Maçaroca e De dentro, que fazem parte da Mostra Quarta que Dança 2012. Ao final de cada sessão, acontecerá um bate-papo com convidados sobre o filme e o ofício da dança. A mostra tem o intuito de chamar atenção pela importância desta linguagem artística para os cidadãos e a cultura, mostrando sua universalidade e diversidade, assim como o incentivo à inclusão e ao estímulo para que o público prestigie a produção em dança nos palcos e nos diversos locais que ela é capaz de ocupar.

    No dia 17, o Centro de Cultura de Lauro de Freitas tem como convidado o coreógrafo e dançarino Edu O. Além disso, o espaço irá exibir seu espetáculoOdete, Traga Meus Mortos que traz uma reflexão sobre o lugar do outro em nossas vidas, nossos mortos (pessoas e situações passadas) marcando nossos corpos, e na sequência será também exibido Colapso.

    Os filmes De Dentro, que parte da ideia metafísica atual de que é de dentro que tudo inicia, que tudo se transforma, e o espetáculo Maçarocaserão exibidos no dia 22 de abril no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro. Cristiano Santana será o convidado.

    No dia 23, Marvan Carlos é mais uma vez o convidado da mostra, agora no Espaço Cultural Alagados, onde serão exibidas as performances Colapso e Das Ruas para as Ruas, este último produzido pelo Grupo Independente de Rua, que trabalha com as técnicas da dança de rua, popping locking e breaking e outras técnicas como o contacto e contemporâneo.


    SINOPSES

    Maçaroca

    Pequena bobina sobre a qual a fiandeira enrola o fio./ Espiga de milho./ Canudo de cabelos que apresenta a forma de uma espiga de milho./ Molho, feixe./ Porção de tripas enroladas e amarradas para vender./ Fig. Enredo, maranha./ A extremidade cabeluda da cauda dos bovinos./ Bola de crinas embaraçadas na cauda dos cavalos./ Duas pessoas escorrendo emaranhadas ladeira abaixo.

    Xou

    O espetáculo Xou, de Vanessa Mello, de Salvador, cria um universo cor-de-rosa – estranhamente reconhecível – que mistura diversas referências e ícones pop, como Xuxa, programa de auditório e conto de fada, numa coreografia que, enquanto exorciza tudo isso, mergulha num vale de lágrimas! Catarse, criação e exorcização. Olha que tá na hora de mais uma fornada, quem não levar agora não leva mais. Tão gostosinho, gostosinho, gostosinho. Tá quentinho, tá quentinho, tá quentinho. O jovem ouviu o lamento da princesa e julgou ser um náufrago aflito, subiu o rochedo, mas não viu ninguém. Quanto mais perto chegava, no entanto, mais nitidamente ouvia uma lamúria. Sérgio Malandro ficou impressionado.

    Colapso 

    A intervenção urbana Colapso, de Ariana Andrade, de Salvador, traz em sua pesquisa de corpo uma investigação sobre memórias e comportamentos femininos observados no cotidiano da capital baiana, juntamente com as inquietações que a pesquisadora e performer observa nos corpos urbanos das mulheres que nessa cidade habitam. Induzidas pelas sedutoras ofertas que a mídia oferece, as mulheres se tornam vítimas da ditadura da vaidade, problemáticas da psique feminina vão surgindo. A performance expressa isso através da arte do corpo, da imagem e da videoarte. Colapso surge num contexto diverso, as ruas da cidade de Salvador serviram de laboratório de corpo e coreografia, análises de comportamentos femininos transgressores, histéricos, exagerados, silenciosos e notáveis ganharam novas significações no corpo da performer, reconfigurando o ambiente e levando o público transeunte a questionamentos.

    Preto Alemão

    É uma pesquisa coreográfica estreada em 2003, em Uberlândia-MG, apresentada nessa mesma cidade e em Goiânia-GO e Salvador-BA. Vencedora do Prêmio Estímulo do XVI Festival de Dança do Triângulo e selecionada na edição 2012 do Quarta Que Dança. Ela convoca o espectador na sua presença, produzindo coreograficamente um tempo de suspensão que climatiza um espaço limiar entre sentimento de si e reconhecimento coreográfico, de onde não apenas histórias podem surgir, mas sobretudo sensações.

    Odete,Traga Meus Mortos

    Os Outros: o melhor de mim sou Eles” – Manoel de Barros. Ao chegarmos a algum lugar, chegamos carregados de passado, de experiências vividas durante toda a vida e, até mais, trazemos nossos antepassados, histórias de família, de lugares, de sonhos… Nos pés ficam os calos e o pó da terra por onde caminhamos. Na mente ficam registradas as imagens, os odores, os sons, as histórias que encontramos em cada esquina, em cada rua, casa, monumento, pessoa. Somos feitos de encontros. A todo momento somos preenchidos de outros. Um outro que muitas vezes desconhecemos, mas que nos afeta e que nós afetamos também. Informações que vão sendo nosso corpo – na postura, no modo de andar, comer, falar, gesticular, enfim, no nosso modo de agir. O lugar do outro em nossas vidas, nossos mortos (pessoas e situações passadas) marcando nossos corpos, sendo-nos. Tudo reverberando em nós até mesmo quando a memória não está sendo atualizada.

    De dentro

    O espetáculo parte da ideia metafísica atual de que é de dentro que tudo inicia, que tudo se transforma, e que o homem é modificado de dentro pra fora. Diante dos desafios contemporâneos, não podemos descartar a relação inversa, posto que de fora também pode influenciar e modificar o dentro. A coreografia amplia a percepção que cada um tem de si numa análise permanente desse ciclo criativo, de dentro pra fora e de fora pra dentro, revelando o homem criatura. “De Dentro” é sensações, possibilidades de movimentos em que o homem se transforma e transforma, a partir das suas relações com o meio sem se reduzir a um único conceito.

    Das ruas para as ruas

    A apresentação trabalha com as técnicas da dança de rua, popping locking e breaking e outras técnicas como o contacto e contemporâneo, com a coreografia direcionada a músicas nacionais remixadas. O grupo Independente de Rua articulou-se a partir da roda de break no Centro Histórico, onde é sua casa e local fixo de ensaios, treinos, aulas, intercâmbio, palestras e apresentações. “Das Ruas para Ruas” é o reconhecimento e comemoração de seus 10 anos de trabalho na Praça da Sé e bairros de Salvador, sempre com o intuito de fortalecer e ampliar a dança de rua, dando a ela visibilidade e garantindo a sua originalidade. Nascida nas ruas, crescida nas ruas e permanece nas ruas.

    SERVIÇO

    Caravana Circuito Popular de Cinema e Vídeo.
    Centro de Cultura de Lauro de Freitas, no dia 16 de abril
    Centro de Cultura João Gilberto, no dia 22 de abril
    Espaço Cultural Alagados, 23 de Abril.
    Horário: Às 19h
    Quanto: Gratuito

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