• Um caldeirão de pura cultura baiana

    Forró na Bahia

    O Xlll FESTFIR revitaliza a tradição das Filarmônicas e suas Escolinhas de Iniciação Musical




    O Décimo Terceiro Festival de Filarmônicas do Recôncavo será aberto neste sábado, 30 de novembro, com uma participação surpreendente das filarmônicas baianas, após seis anos sem ser realizado. Organizado pelo sociólogo Pedro Archanjo e pelo maestro Fred Dantas, com apoio cultural da Prefeitura Municipal de São Felix e da Secretaria Estadual de Cultura, o festival há 23 anos vem contribuindo para a revitalização das Filarmônicas e suas Escolinhas de iniciação Musical. O evento acontecerá na Casa da Cultura Américo Simas, em São Félix, durante três finais de semanas, no período de 30 de novembro a 14 de dezembro de 2013. Para participar a Filarmônica deve ter uma escola de iniciação musical funcionando. As Filarmônicas campeãs e vice campeãs de cada grupo participarão da gravação ao vivo do CD do Xlll Festfir e serão premiadas com instrumentos musicais. 

    Durante a competição cada entidade musical deverá executar três peças musicais características das filarmônicas, sendo obrigatório para o grupo A (filarmônicas campeãs das edições anteriores do Festival) a execução do dobrado “Ararybóia” e para o grupo B (demais filarmônicas) o tango brasileiro “Os Bohêmios”, ambos do mestre-compositor fluminense Anacleto de Medeiros (1866-1907), homenageado nesta edição do XIII FESTFIR. As outras duas músicas serão de livre escolha, desde que compostas originalmente para banda de música.

    Para o maestro Fred Dantas, coordenador musical do evento, o Festival de Filarmônicas do Recôncavo se transformou num grande cenário no qual “as filarmônicas renasceram, outras estrearam e, estimulando a sadia competição, incentivou a volta ao bom gosto, tanto na escolha das músicas como na execução musical em si” . Segundo o maestro, para o Recôncavo, em particular, além de incentivar as suas centenárias corporações, o Festival contribuiu para a reabertura dos arquivos, para o renascimento de obras importantes em manuscritos musicais, “e nisso o Recôncavo não tem regiões rivais”, diz ele, pois no Recôncavo estão os arquivos musicais mais antigos e significativos.

    História - O Festival de Filarmônicas do Recôncavo foi criado pelo sociólogo Pedro Archanjo, que desde 1990 realiza o Festfir com o maestro Fred Dantas e o apoio do Centro Cultural Dannemann. Porém, este ano a Dannemann vem passando por um processo de reestruturação, não dispondo de condições para produzir o evento. Então, os organizadores, juntamente com a Prefeitura Municipal de São Félix e a Secretaria Estadual de Cultura, assumiram a realização do Festfir pela sua singular importância. Segundo o prefeito Eduardo José de Macedo Júnior, a Bienal e o Festival das Filarmônicas são eventos que pertencem à cidade de São Félix, ao Recôncavo e ao estado da Bahia, “que nós não podíamos deixar de apoiar”.
    Para Pedro Archanjo, “a Dannemann exerceu importante papel no processo cultural da Bahia assumindo em 1990 a produção do Festival de Filarmônicas e em 1991 a Bienal do Recôncavo, período em que a Bahia experimentou uma aprofundada crise de gestão cultural. Naquele momento o Teatro Castro Alves e o Museu de Arte Moderna da Bahia se encontravam fechados por falta de condições técnicas para funcionar não havendo editais nem outras formas de incentivo cultural oficial”. A entrada da Dannemann na gestão cultural baiana representou uma retomada da produção cultural na Bahia estimulando iniciativas governamentais. 

    As Filarmônicas são um significativo patrimônio cultural brasileiro que se encontrava em estado de extinção. Na primeira edição do festival, apenas seis Filarmônicas tiveram condições de participar. A maioria estava com as sedes deterioradas, sem instrumentos e seus integrantes desmotivados por falta de apoio. Hoje, retomaram e atualizaram suas origens que vem do império. Precisamente quando Dom João Vl chegou ao Brasil, em 1808 e trouxe em sua comitiva uma das bandas militares de maior prestígio da Europa, a banda da Brigada Militar Portuguesa, introduzindo no Brasil uma tradição musical existente desde o século XVI.

    Porém, mais importante que a música de base militar é o papel social desenvolvido pelas Filarmônicas em suas Escolas de Iniciação Musical, que abrigam jovens e lhes ensinam, através de uma eficiente metodologia.Tradicionalmente, os integrantes das filarmônicas são pessoas da comunidade que não têm a música como profissão. As bandas do interior são constituídas pôr profissionais das mais diversas áreas: comércio, indústria e principalmente artesãos. “O que contribuiu para as Filarmônicas experimentarem um período de declínio, que coincidiu com a criação do Centro Industrial de Aratu e a industrialização do estado. Quando músicos migraram do interior a procura de trabalho, abandonando a atividade musical. O som dos trios elétricos que surgiram em Salvador em 1950 e chegam ao interior na década de 1960, também contribuiu para o processo de declínio dessas entidades musicais”, conclui Archanjo.
    Programação : 

    Dia 30.11 – Abertura do Festival e competição

    18h00 – Lançamento do livro 30 anos da Oficina de Frevos e Dobrados da autoria do maestro Fred Dantas

    18h30 – Filarmônica União Sanfelixta – anfitriã

    19h30 – Filarmônica 19 de Setembro de Ibipeba

    20h30 – Filarmônica 4 de Janeiro – Itiúba

    21h30 – Filarmônica União dos Artistas – Bom Jesus dos Passos

    22h30 – Filarmônica 2 de Janeiro de Jacobina

    23h30 – Filarmônica Minerva Cachoeirana – participação especial
    Dia 01.12 – Programação Educativa 

    10h – Palestra “Mulheres em Banda de Música no Nordeste do Brasil e no Norte de Portugal” – ministrada pelo professor Marcos Moreira a partir da pesquisa de doutorado do palestrante apresentado no programa de pós-graduação da Escola de Música da UFBA.


    Dia 07.12 – Competição

    19h30 – Filarmônica Lira Santamarense – Vera Cruz

    20h30 –Filarmônica Coiteense Genésio Boa Ventura – Coité

    21h30 – Filarmônica 19 de Março – Acupe

    22h30 – Filarmônica Lyra Ceciliana – Cachoeira

    23h30 – Filarmônica Tersícore Popular de Maragogipe – participação especial


    Dia 08.12 – Programação Educativa

    10h – Oficina “Forma e Instrumentação na Banda Filarmônica” – ministrada pelo maestro Fred Dantas.


    Dia 08.12 – Competição

    19h30 – Associação Filarmônica de Iaçu

    20h30 – Filarmônica Lyra dos Artistas – Santo Amaro – homenageada

    21h30 – Filarmônica São Domingos de Saubara

    22h30 – Filarmônica Lira Musical Sangonçalense

    Dia 14.12 – Competição Final

    19h30 – Apresentação das Filarmônicas finalistas

    20h30 – Premiação e solenidade de encerramento do XIII Festfir


    Casa da Cultural Américo Simas - Rua Coronel João Severino da Luz Neto n.03 – CEP 44.360-000 - São Félix – BA - Tel: 75- 3438- 3721. E-mail: filarmonicas@terra.com.br.



    Fonte: Assessoria de Imprensa - Doris Pinheiro

    0 comentários: