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    Forró na Bahia

    MAM-BA reabre Sala Rubem Valentim com 30 obras do artista baiano


    Foi em 1991 que a arte brasileira perdeu Rubem Valentim. Homem do povo, autodidata e amante da cultura afro e do candomblé, o artista baiano fez história como um dos mestres do Construtivismo. Nascido em Salvador, em 1922, iniciou sua produção em meados dos anos 1940, quando participou do movimento de renovação artística da Bahia, ao lado de artistas como Mario Cravo Jr., Jenner Augusto e Lygia Sampaio. 

    Mais de 20 anos após a sua morte, o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) reabre ao público a Sala Rubem Valentim, importante espaço expositivo localizado no Parque das Esculturas, que apresenta 30 obras – sendo 20 esculturas e 10 relevos – do pintor, escultor e gravador baiano. O evento que marca a reabertura do espaço acontece no dia 21 de dezembro, às 10h, com a presença de autoridades, artistas e visitantes do MAM-BA. 

    Inaugurada em 1998 – mesmo ano de abertura do Parque das Esculturas – e concebida especialmente para expor os trabalhos do artista, a Sala Rubem Valentim passou por mudanças estruturais enquanto esteve fechada para o melhor acondicionamento das obras, que agora ficam em exposição permanente ao público baiano. A visitação pode ser feita de terça a domingo, das 10h às 18h. A entrada é gratuita. 

    Acervo MAM-BA – Com a nova sala, o público terá acesso às obras que integram a série Templo de Oxalá. Em 145m² de área, serão exibidas 20 esculturas em madeira e tinta acrílica que representam divindades do “panteão” do Candomblé, além de 10 relevos que versam sobre a mesma temática. 

    A obra de Rubem Valentim é desencadeadora de um projeto de modernização da arte na Bahia, uma produção chave na evolução da arte produzida aqui. A reabertura da Sala significa expor uma parte importante do acervo do Museu de Arte Moderna da Bahia”, ressalta a diretora do MAM-BA, Stella Carrozzo. 

    A coleção expressa uma linguagem plástico-visual-signótica ligada aos valores místicos da cultura afro-brasileira. São ferramentas com abebês, paxorôs e oxês, transformados segundo a geometria, para expressar universalmente o ‘sentir brasileiro’. Estas obras foram doadas pela viúva do artista, Lúcia Valentim, e participaram da XIV Bienal de São Paulo, em 1977. 

    Manifesto – Com a publicação do Manifesto Ainda que Tardio, Rubem Valentim – que sempre recusou as correntes artísticas estrangeiras – expõe suas ideias sobre a própria arte. Lá, ele afirma: “minha arte tem um sentido monumental intrínseco. Vem do rito, da festa. Busca as raízes e poderia reencontrá-las no espaço, como uma espécie de ressocialização da arte, pertencendo ao povo”. 

    Com a questão étnica muito ligada à sua produção artística, suas obras foram difundidas para diversas regiões do planeta. “Ele foi um homem grandioso, que estava à frente dos outros artistas. Teve sala especial na Bienal de São Paulo, em Nuremberg (Alemanha), em Cuba e em vários países. Até hoje, continua a ter grandes exposições”, afirma Celso Albano da Costa, profissional de arte e estudioso da obra de Valentim. 

    Uma das exposições em homenagem ao artista foi realizada em dezembro de 2011, no Casarão e na Capela do MAM-BA, com curadoria de Stella Carrozzo e co-curadoria do artista Almandrade. Na época, a mostra reuniu obras de diferentes fases de Valentim, incluindo trabalhos do início de sua carreira, nos anos de 1950 até a década de 1980. Fizeram parte da exposição obras do acervo do MAM-BA e de coleções particulares, que destacaram a estruturação da linguagem sígnica característica do artista. 


    Reabertura da Sala Rubem Valentim 
    Quando: 21 de dezembro (sexta), às 10h 
    Local: Parque das Esculturas 
    Visitação: de terça a domingo, das 10h às 18h 
    Gratuito 
    End.: Museu de Arte Moderna da Bahia, Av. Contorno, s/n, Solar do Unhão 
    Informações: (71) 3116-8007



    Fonte: Núcleo de Comunicação MAM BA 


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