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    Forró na Bahia

    Clima intimista e encontros especiais marcam estreia do Dia do Jazz no Pelô



    O clima intimista alternado com momentos mais vigorosos da música instrumental deram o tom da primeira edição do Dia do Jazz no Pelô, realizado na enluarada noite de sexta (29), no Largo Pedro Archanjo, no Centro Histórico. O projeto, realizado pelo Coletivo de Música da CUFA Itapuã, faz parte da agenda do Pelourinho Cultural, programa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e acontecerá, a princípio, uma vez por mês com duas atrações por noite. Os amantes do estilo compareceram, animados.

    A noite teve início com a contagiante apresentação da banda Terno de Ás, formada pelos estudantes da escola de música da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Daniel Santana (violão), Lucas Andrade (clarineta) e Diogo Florez (percussão). O trio mostrou porque é considerado um dos mais promissores do cenário baiano, envolvendo a plateia com arranjos elaborados, joviais, com uma linguagem essencialmente brasileira.

    Destaque para os excelentes arranjos que fizeram clássicos da música popular soarem como novidade aos ouvidos dos presentes, como Luíza e Corcovado, de Tom Jobim, Expresso 2222, de Gilberto Gil, e Trenzinho Caipira, composição de Heitor Villa Lobos. “Ficamos felizes por termos um público tão atencioso e caloroso. Os arranjos têm muita informação e, com pessoas tão simpáticas, o show fica leve tanto para nós quanto para vocês também”, comemorou Lucas Andrade.

    Quando a principal atração da noite subiu ao palco, o contrabaixista Luciano Calazans, a plateia já estava ambientada, curtindo o novo espaço de música instrumental. Com releituras do CD Contrabaixo Astral e novidades do próximo álbum, Ufonia, o virtuoso Calazans agitou ainda mais a noite. “A música instrumental está em um momento muito especial na Bahia, com sua, digamos, popularização. Está conseguindo atingir um público maior. E eu gosto de fazer música que marque as pessoas, de composições que façam elas se lembrarem de momentos importantes. Penso mais na posteridade do que no presente”, afirmou o compositor.

    Noite de encontros

    Além da lua cheia, que também compareceu em um dia de trégua da chuva e compôs um cenário único com os casarões centenários do Centro Histórico, o Dia do Jazz reservou outras surpresas. Calazans teve como convidado o percussionista Emerson Taquari, que já acompanhou artistas como Gilberto Gil, Daniela Mercury, Zé Ramalho, Chico César. O encontro inspirado foi um dos pontos altos da apresentação.

    Na plateia, famílias, casais, estudantes e amantes do ritmo curtiam o novo espaço. Entre eles, o vocalista da banda de reggae Diamba, Duda Sepúlveda, que também foi prestigiar o evento. “Não importa o estilo musical, a música alimenta a alma”, disse.

    Outro destaque foram os encontros, como o que aconteceu com os fãs de música instrumental Marcos, Naiara e Vilobaldo. Freqüentadores assíduos do evento de jazz no Museu de Arte Moderna, ele ficaram sabendo do evento no Pelourinho e foram conferir. Sentados na mesma mesa, nem parecia que se conheceram naquela noite. “Acho que deveria ter mais edições desse tipo de música no mês. Salvador é uma cidade de cunho musical, onde cabem todos os ritmos”, explicou Vilobaldo Cerqueira técnico em reparação de automóveis.

    A idéia foi reforçada pela estudante de música da Universidade Católica e professora de percepção musical, Naiara Cruz. “Sou fã de música boa e se é bom a gente escuta”, brincou. Já Marcos Lírio, estudante de Artes Plásticas da UFBA, torce para que perdure o evento no Pelô.


    Fonte: Texto & Cia


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